Testosterona injetável recebe aval para incorporação no SUS; entenda indicação



A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) deu aval para a incorporação dos hormônios testosterona e estradiol para pacientes que apresentam hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico (HHO), condição que afeta a produção hormonal nesta terça-feira, 16. Os tratamentos devem ser ofertados pelo SUS em um prazo de 180 dias.

Para homens que vivem com a condição, foi liberado o uso na rede pública de opções injetáveis de undecilato de testosterona, cipionato de testosterona e a combinação de quatro ésteres de testosterona (propionato de testosterona, empropionato de testosterona, isocaproato de testosterona e decanoato de testosterona). Esta última composição será também indicada para adolescentes do sexo masculino para indução da puberdade.

Em relatório, o órgão explicou que a terapia de reposição hormonal com testosterona em pacientes com sintomas “tem como objetivo promover características sexuais secundárias, melhorar a função sexual, a massa muscular, a densidade óssea e o bem-estar emocional, além de induzir a puberdade em meninos que não a desenvolvem naturalmente”.

No caso do estradiol, foi aprovado um adesivo para ser colocado na pele de adolescentes do sexo feminino também para indução da puberdade. A Conitec informou que as evidências clínicas sobre o uso de adesivos é limitada, mas “observam-se benefícios psicossociais relevantes associados à terapia hormonal em adolescentes do sexo feminino com HHO”.

As evidências científicas comprovaram a eficácia e os estudos sobre o impacto orçamentário em relação aos benefícios deram suporte para a decisão.

Segundo a Conitec, a avaliação para incorporação foi feita a partir de uma solicitação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde.

Vale destacar que o uso de testosterona e demais hormônios deve ser feito apenas por pessoas que têm recomendação médica e estão fazendo um tratamento. Fora desse cenário, principalmente para fins estéticos, a substância pode trazer graves riscos à saúde, como elevação do risco de infarto e AVC, aumento do músculo cardíaco, danos ao fígado e dependência psicológica.

O que é hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico

O hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico é um quadro que se caracteriza, geralmente, por falhas em uma glândula localizada no cérebro, a hipófise, que é responsável pela produção de hormônios. Isso leva à desregulação do estímulo para que o corpo produza os hormônios sexuais e das células reprodutivas, os gametas — espermatozoides para homens e óvulos para mulheres —.

Uma estimativa apresentada pela comissão indica que o Brasil pode ter 87 mil casos da condição e 7,4 mil novos casos por ano, mas o número pode estar subestimado.

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